Levantamento mostra que Flávio Dino tentou se viabilizar nacionalmente em 2019



Do Jornal O Estado do Maranhão

O primeiro ano do segundo mandato do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi marcado por uma intensa movimentação do comunista na tentativa de se lançar ao cenário nacional e garantir espaço de fala no debate sobre as eleições presidenciais de 2022.

Mesmo ainda distante – e com eleições municipais no meio -, a sucessão do atual presidente a República, Jair Bolsonaro (sem partido), foi mantida em voga por partidos de esquerda como forma de reforçar a “resistência” ao atual ocupante do Palácio da Alvorada.

Nesse cenário, Dino deixou o Maranhão diversas vezes sob o comando do seu vice-governador, Carlos Brandão (PRB), para imiscuir-se em debates que têm como foco colocá-lo, de alguma forma, no centro das discussões nacionais.

Levantamento de O Estado, com base em dados abertos disponíveis no Portal da Transparência do Governo do Maranhão apontam que, apenas entre janeiro e setembro de 2019, Flávio Dino deixou o estado 23 vezes para participar de debates nacionais, ou mesmo internacionais. Os dados de outubro a dezembro não estavam disponíveis na plataforma oficial até o fechamento desta edição.

Polarização

Em praticamente todas as oportunidades que teve, o governador maranhense tentou polarizar com o Bolsonaro. Mas foi quase sempre ignorado pelo presidente.

Na ocasião em que obteve mais êxito, o comunista foi citado pelo capitão reformado do Exército Brasileiro em uma conversa com o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), captada por um microfone aberto antes de um café da manhã com jornalistas, em Brasília, no mês de julho. Bolsonaro usou o termo “paraíba” para se referir a governadores do Nordeste. “Daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão. Tem que ter nada com esse cara”, disse.

Flávio Dino reagiu nas redes, e durante alguns dias, foi apontado como possível principal opositor do presidente.

Um mês depois, novo embate. Numa reunião de governadores da Amazônia Legal com o presidente para debater soluções para as queimadas na região, o governador do Maranhão fez um discurso claramente direcionado a Bolsonaro, que sentava próximo dele.

Na presença do presidente, mas sem citá-lo, o comunista criticou os extremismos no debate com a comunidade internacional sobre queimadas na Amazônia e a condenação do trabalho de ONGs.

Segundo ele, atitudes como aquelas poderiam resultar em sanções a produtores brasileiros por outros países. “É preciso moderação”, disse.

Em outubro, o tema Amazônia motivou nova manifestação de Dino contra o governo Jair Bolsonaro. Na sua fala durante encontro no Vaticano, o comunista não se limitou a tratar da questão das queimadas e da proteção aos povos indígenas. Também condenou o que chamou de “padrão negacionista de abordagem do problema” ao se referir ao desastre de derramamento de óleo em praias do Nordeste.

“Há sim [um crise ambiental, na humanidade] e, lamentavelmente, o Brasil nesse ano ofereceu duas provas quanto à pujança, a força, dessa crise ambiental, uma vez que, no primeiro momento tivemos o enfrentamento da temática das queimadas na Amazônia, que, de fato, desbordaram dos padrões, por outro lado, agora estamos atravessando a crise do derramamento de óleo nas praias do Nordeste brasileiro”, destacou.

Segundo ele, essa negação, e a demora para a tomada de atitudes, amplificou os problemas. “Em ambos os casos verificamos um padrão negacionista de abordagem do problema, trazendo um encargo, qual seja: a lentidão no enfrentamento das consequências, em razão de uma excessiva ideologização dessa temática”, completou.

A agenda presidencial de Dino

17 e 18/01 – São Paulo / Agenda institucional

23 a 25/01 – Brasília / Assembleia Geral de governadores do Brasil e reunião com o então ministro da educação, Ricardo Velez

5 a 7/02 – Brasília e Salvador / Reunião de governadores do Nordeste e Bienal da UNE

19 a 20/02 – Brasília / Reunião preparatória do III Fórum de Governadores e reunião com a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina

25 e 26/03 – Brasília / Reunião extraordinária do Fórum de governadores

27/03 – São Paulo e Rio de Janeiro / Debate com blogueiros e jornalistas, talk show na abertura do Encontro GRI PPPs e Concessões 2019, além de palestra na plenária “Brasil: nação protagonista”

5 a 7/04 – Estados Unidos / Brazil Conference at Harvard & MIT

22 e 23/04 – Brasília / Fórum de governadores

24 e 25/04 – Brasília / Reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e na STN

8 e 9/05 – Brasília / Reunião com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e da República, Jair Bolsonaro (PSL)

15 a 19/05 – Londres / Palestrante no painel “Justiça e Segurança Pública”, no Brazil Forum UK

23 e 24/05 – Recife / Reunião prévia de governadores e reunião do Conselho deliberativo da Sudene

26 a 28/05 – São Paulo e Brasília / Fórum Exame PPPS Concessões 2019 e agenda institucional

17 e 18/06 – Fortaleza, Natal e Brasília / Seminário de políticas de austeridade e reforma da Previdência, reunião com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), palestra no ciclo “Na trilhada democracia” e reunião no STF

26 e 27/06 – Brasília / Reunião com o ministro Marco Aurélio Mello e na Comissão Intergestores Tripartite

7 e 8/07 – Rio de Janeiro / Reunião no Centro Internacional Celso Furtado e agenda de imprensa

29/07 – Salvador / Agenda institucional

1/08 – Palmas / Fórum de governadores da Amazônia Legal

7 e 8/08 – Goiânia e São Paulo / Encerramento da ExpoMunicípios e painel de conversas na abertura do Encontro Anual de Líderes da Fundação Lemann

21/08 – Teresina / Reunião do Consórcio Nordeste

22/08 – Teresina / Fórum de infraestrutura regional

11/09 – Goiânia / Debate sobre Lawfare

12 e 13/09 – São Paulo / Entrevista ao programa Canal Livre, da Band

16/09 – Natal / Reunião do Consórcio Nordeste

23 e 24/09 – São Paulo / Entrevista ao programa Roda Viva, da Tv Cultura

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